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Para além de uma doença pontual, a saúde da mulher é alvo de diversas discussões ao redor do mundo, sobretudo neste momento de pandemia. Ao se fazer esta afirmação, talvez seja mais prudente e esclarecedor justificá-la com dados.Vamos lá:

Segundo a Organização das Nações Unidas(ONU), 70% dos trabalhadores em saúde e 85% do pessoal de enfermagem e parteiros, são mulheres. Ao considerar-se estes números em território nacional, as mulheres são 85% de toda a equipe de enfermagem e 46% dos médicos no trabalho em contato direto com os pacientes convalescentes com COVID-19.

Ainda dentro do cenário da saúde, mas em relação ao trabalho de cuidado, mais especificamente no momento de exercer o cuidado ao idoso, as mulheres também se apresentam em percentagem expressiva, como é possível observar nos dados disponibilizados pelo extinto Ministério do Trabalho (MT), em que as mulheres somavam 85% das pessoas com este tipo de ocupação no ano de 2017.

Saindo do cenário da saúde, pesquisa registrada pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA), revela a existência de 5,7 milhões de mulheres realizando o trabalho doméstico remunerado no Brasil, sendo 70% sem carteira assinada, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em relação ao sustento, renda e provimento familiar, dados baseados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, 30 milhões de mulheres configuravam como únicas provedoras do lar no ano de 2015.

A relação entre todos estes dados e informações mencionados nos parágrafos anteriores pode revelar cenários onde a doença se estabelece sem uma causa aparente como o tabagismo, um acidente de trânsito, ou algo neste sentido, sem falar que a expressividade dos números revela aumento substancioso do risco de contágio dessas mulheres por Covid-19, por exemplo.

Muitas vezes o que acontece é uma situação velada de adoecimento, em que alterações fisiológicas (apetite e o sono), e que podem desencadear crises mais graves e de difícil controle, como o desenvolvimento de hipertensão, diabetes e doenças mentais como o transtorno de ansiedade generalizada.

E é dentro deste contexto, em uma rotina dita “normal” para as mulheres ou “novo normal” - com a situação da pandemia, que imperam incertezas das mais diversas, em que não se sabe da continuidade do trabalho ou existência futura do emprego.  Aliando-se a isto,temos o acúmulo das tarefas domésticas com o trabalho externo, o cuidado com filhos e parentes, a instabilidade social, econômica, política e o aumento da violência.

Sendo assim, neste momento de crise, a saúde da mulher se mostra ainda mais comprometida e enquanto se luta por políticas públicas mais inclusivas e isonomia no mercado de trabalho, mais do que nunca os serviços de apoio psicológico e social se mostram importantes.

Autora: Leila Mello Pioner

 

Referências

BRASIL. MINISTÉRIO DA ECONOMIA. (comp.). Observatório Nacional do Mercado de Trabalho. 2017. Disponível em: http://antigo.trabalho.gov.br/. Acesso em: 06 out. 2020.]

BRASIL. IBGE. . Em média, mulheres dedicam 10,4 horas por semana a mais que os homens aos afazeres domésticos ou ao cuidado de pessoas. 2018. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/27877-em-media-mulheres-dedicam-10-4-horas-por-semana-a-mais-que-os-homens-aos-afazeres-domesticos-ou-ao-cuidado-de-pessoas. Acesso em: 06 out. 2020.

Natália de Oliveira Fontoura. Mulheres dedicam muito mais tempo ao trabalho doméstico. 2012. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=14321&catid=10&Itemid=9. Acesso em: 06 out. 2020.

ONU MULHERES. Mulheres no centro da luta contra a crise Covid-19. [s.l.] Organização das Nações Unidas, 26 mar. 2020b. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/?post_type=post&s=Mulheres+no+centro+da+luta+contra+a+crise+Covid-19>. Acesso em: 20 out.2020.

ORGANIZATION, Wolrd Health. Mental healthandpsychosocialconsiderationsduringthe COVID-19 outbreak. 2020. Wolrd Health Organization. Disponível em: https://www.who.int/docs/default-source/coronaviruse/mental-health-considerations.pdf?sfvrsn=6d3578af_2. Acesso em: 06 out. 2020.