Get Adobe Flash player

Estratégia Saúde da Família (ESF) e Análise da Realidade Social: Subsídios para As Políticas de Promoção da Saúde e Educação Permanente



A promoção da saúde e a educação permanente na atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS) dependem da análise de contextos sociais, sanitários, culturais e epidemiológicos que podem e devem ser feitas pelas equipes de saúde da família. O objetivo da pesquisa foi investigar se e como as equipes de Saúde da Família elaboram análises de sua realidade social e de saúde e se isso gera ações locais ou políticas públicas de promoção da saúde e de educação permanente.

Trata-se de estudo descritivo qualitativo, desenvolvido na Grande Florianópolis-SC, em três municípios, de pequeno, médio e grande porte. Foram entrevistados profissionais (médico, enfermeiro, dentista e um agente comunitário de saúde - ACS) de 2 equipes de saúde da família dos municípios menores (pequeno e médio porte) e de 3 equipes do maior, além do gestor vinculado à ESF em cada um desses municípios.

Também foram distribuídos 112 questionários para outras 28 equipes com questões abertas semelhantes às das entrevistas, dos quais 41 retornaram respondidos. As entrevistas foram gravadas, transcritas e submetidas à análise temática, assim como os questionários. Não se detectou diferenças relevantes entre os municípios e nem entre a compreensão das categorias profissionais.

Os entendimentos e práticas sobre promoção da saúde variaram de sua forte identificação à prevenção de doenças até aspectos educativos individuais e familiares, com alguma menção à qualidade de vida - vista como fruto, no geral, da prevenção e da educação. Raras foram as menções a condições e determinantes sociais.

A educação permanente era entendida como formação para o trabalho e identificada com cursos de capacitação e atualização, identificada com educação continuada. Alguma análise da realidade social local era feita a partir das atividades de cadastro das famílias e do cuidado cotidiano, a partir de casos demandantes e de visitas domiciliares.

As análises feitas eram pouco elaboradas e sem organicidade, resultando em baixíssima geração de atividades locais, articulações intersetoriais ou demandas para educação permanente e promoção da saúde. Predominaram concepções ainda higienistas e preventivistas, sendo digno de nota que o contato com a realidade social, principalmente dos ACSs, gerava percepções de necessidade de ações mais amplas (típicas da promoção da saúde nos seus significados pós-carta de Ottawa) e algumas iniciativas nesse sentido.

Conclui-se que a análise da realidade social e de saúde tem produzido pouco subsídio para ações e políticas de promoção da saúde e educação permanente.

Clique aqui para baixar o relatório completo!